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Celebração dos 102 anos da morte do Presidente da República de Manhuassú

Coronel Serafim Tibúrcio da Costa faleceu no dia 19 de novembro de 1919 aos 68 anos em Espera Feliz- MG.

19/11/2021 13h47 Atualizada há 1 semana
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Por: Comendador Fabrício Santos
Coluna Resenha Cultural Fabrício Santos
Coluna Resenha Cultural Fabrício Santos

O Coronel Serafim Tibúrcio da Costa faleceu no dia 19 de novembro de 1919, há exatos cento e dois anos, por morte natural, aos 68 anos de idade, em Espera Feliz- MG. 

República Manhuassú foi um estado republicano proclamado em 15 de maio de 1896 no município de Manhuassú (atual Manhuaçu), Minas Gerais. Em 15 de maio de 2021 comemorou-se 125 anos da proclamação da República de Manhuassú feita pelo Cel. Serafim Tibúrcio da Costa, tornando-se o Presidente da República de Manhuassú por 22 dias em 1896.

Dados históricos extraídos da Ficha de Inventário de Patrimônio Cultural do Busto do Cel. Serafim Tibúrcio:

Os primeiros desbravadores que chegaram a região de Manhuaçu, ainda na primeira metade do século XIX, vieram a procura do ouro e da poaia, após o extermínio dos índios Puris e Botucudos demarcaram terras de Minas Gerais até as áreas fronteiristas ao estado do Espirito Santo onde começaram o cultivo do café. Segundo registros a Vila de São Lourenço do Manhuassú foi fundada oficialmente em 1869, dois anos depois foi criado o distrito policial. Em 1872, começam a surgir os primeiros movimentos destinados a emancipação da vila.

Em 1876, o Presidente e Agente Executivo da Câmara de Ponte Nova, José Maria da Silveira fez a abertura do pedido que culminou na elevação do local a Freguesia. Mas, somente, em 05 de novembro de 1877, a vila de São Lourenço de Manhuassú foi emancipada de Ponte Nova, através da Lei Nº 2.407, promulgada pelo presidente da província, João Capistrano Bandeira de Mello, que criou o Município de São Lourenço de Manhuassú, com sede em São Simão (atual Simonésia). A partir da emancipação fazendeiros locais se mobilizam e criam uma comissão na cidade cujo objetivo era trazer a Sede do Município de São Simão (Simonésia) para São Lourenço do Manhuassú. A Comissão, não mediu esforços durante anos, período de 1877 a 1880 para conquista de avanços.

Prestigiada pelos homens de proa da Freguesia, notadamente por Luis Antônio Cerqueira, Antônio Joaquim Selos e pelo Padre Fortunato de Souza Carvalho, nomeado Vigário da Paróquia em 1878, devotou-se a comissão com excessivo zelo, não só ao Movimento Emancipacionista que lhe dera causa, como aos melhoramentos e prosperidade da nova Vila de São Lourenço, edificando inúmeras casas na ‘esplanada, que fica à margem direita do rio’, demarcando nova área para o cemitério; construindo um ‘chafariz na praça’, reconstruindo pontes e locando ruas. Cumpriu a comissão autêntico programa de obras públicas, a mercê do espírito progressista de seus membros. Desenrolava-se entrementes, nas antessalas do Governo, acesa disputa entre patronos de ambas vilas. Alexandrino Teles e Adelino Augusto de Carvalho, pleiteando a manutenção da sede na Vila de São Simão, obtinham em seu favor o apoio do Cônego Teles, conservador, de marca influência nos círculos do Governo. Francisco de Paula Santos, porém, em contínuas e eficientes gestões, conquistava para a Vila de São Lourenço, a simpatia de Cesário Alvim, cuja interferência pôs termo à contenda, com decisivo triunfo desta’. (ABREU, 1999)

Em 13 de janeiro de 1880, a sede do município passa a ser São Lourenço do Manhuassú, em vez de São Simão promulgada pelo Governo Provincial através da Lei nº 2.557, em 01 de junho do mesmo ano, foi realizada a primeira eleição, sendo eleito na época o fazendeiro Joaquim Gonçalves Dutra, maior proprietário de terra da região e não possuía patente militar. Conforme o Historiador Flávio Mateus dos Santos, na época, era comum entre os proprietários de terra a compra de títulos militares ou a própria nomeação, como alternativa para evitar a ameaça de invasão de posseiros. Além disto, ao comprarem títulos, os coronéis, majores e capitães além de figurar do lado do governo republicano, estabeleciam e firmavam relações de clientelismo com as elites locais que figuravam no cenário político (A República do Silêncio, 1ª ed., Caratinga, 2009, p.124). Joaquim era também integrante do Conselho que lutou para a transferência da sede de São Simão (Simonésia) para o Município de Manhuaçu. Joaquim foi eleito com o apoio daqueles que queriam que a sede fosse estabelecida, em Manhuaçu. Em 05 de novembro de 1880, pela Lei Nº 2.665, é criada a Comarca do Rio de Manhuaçu. Neste mesmo ano, chega a cidade Serafim Tibúrcio revolucionário que trouxe ideias evolucionistas ao arraial, vindo de Jequeri (à época, distrito de Ponte Nova). Ele era tropeiro e comercializava fumo, tornou-se influente com apoio dos governantes, em pouco tempo tornou-se coletor de impostos. Através deste suporte político ele enriquece como fazendeiro. O investimento no café permitia a ascensão social de muitos que habitavam a localidade, o que despertou o interesse de outras facções políticas que buscavam espaço no novo contexto que surgia. O governo de Joaquim Gonçalves Dutra dura até 1883, quando é sucedido pelo padre Fortunato de Carvalho, outro integrante do Conselho. Depois dele, o terceiro a governar foi o Coronel Nicolau da Costa Matos.

Em 1892, o quarto a governar, foi Serafim Tibúrcio, homem que fez fortuna na cidade com a produção do café. Trouxe para a cidade a primeira máquina de pilar café da região, além de criar moeda local, o boró, para a comercialização das sacas de café. Serafim Tibúrcio era reconhecido com defensor dos menos favorecidos, e com isso estava sob os olhos de fazendeiros locais que diziam que sua figura representa apenas um analfabeto, forasteiro vindo de outra cidade. Seu mandato durou até 1894, quando tenta a reeleição. Ganha a eleição, mas seus rivais não aceitam e ele é surpreendido por um complô que elege o candidato oponente, Coronel Frederico Dolabela. Segundo o que conta o jornalista Thomaz Jr.: Manhuaçu possuía uma grande quantidade de políticos ligados à esfera militar com suas patentes compradas ou nomeadas. Dentre eles se destacam dois grupos representando facções políticas que se dividiram após a proclamação da República.

São elas: a dos dolabelistas (coronel Frederico Dolabela, coronel David Lopes Abelha, coronel Leopoldo Nogueira da Gama, promotor público em 1.894 e coronel Nicolau terceiro a governar), e a facção dos serafinistas (coronel Antônio Rafael Martins de Freitas, coronel José Bento Barbosa, coronel Joaquim José dos Santos Mestre, que foi o 1º prefeito de Caratinga, e os capitães José Ramalho, de Ipanema, Antônio José Rodrigues, de Caratinga e Manoel Soares de Souza, de Entre Folhas).

O grupo dos serafinistas era maior que o grupo dos dolabelistas, possuindo um maior número de homens nas esferas militares. Porém, os dolabelistas possuíam contato com o irmão do deputado Henrique Diniz, que no período de 1894 era membro do mesmo grupo político do governador do Estado de Minas Gerais, Crispim Jaques Bias Fortes, além de terem também o apoio do juiz da Comarca de Manhuaçu. Deste modo, o grupo dos dolabelistas recorrem ao governador e conseguem a anulação da eleição. Serafim Tibúrcio convoca seus comparsas e toma o poder na cidade, faz a revolta denominada Revolta do Coqueiro que proclama a cidade como República de Manhuassú. Serafim Tibúrcio assume o poder, com isso o grupo de oposição (os dolabelistas) se reúnem com as influências no governo do estado conseguem tropas estaduais para lutarem com as tropas de Serafim Tibúrcio. No confronto armado as tropas do estado perdem e se recolhem. Em seguida, solicitam a chegada das tropas nacionais para retirada de Serafim Tibúrcio do poder. A revolta dura 22 dias e o grupo dos serafinistas perdem para as tropas federais e saem em retirada a Cidade de Afonso Claudio (segundo relatos), no Espirito Santo onde se instalam. Serafim Tibúrcio viveu no local até sua morte em 1919.

Não se tem notícias de seus familiares e descendentes até os dias atuais. Durante décadas sua história ficou apagada e pouco reconhecida, já que o grupo que tomou o poder ocupou cargos importantíssimos na cidade, além de fazerem parte de famílias tradicionais. Até os dias atuais a cidade se divide em relação a história de Serafim Tibúrcio da Costa, alguns acreditam que ele foi mártir que lutou pelo poder na cidade, outros concluem que ele não passou de oportunista que fez fortuna e ficou milionário. Sem dúvida, Serafim Tibúrcio figura como personagem importante na história de Manhuaçu.

Em 1977, nas comemorações do centenário da cidade Manhuaçu, o prefeito Camilo Nacif homologa lei que homenageia Serafim com a implantação de Rua em seu nome, faz a encomenda de um busto com a imagem do Coronel Serafim Tibúrcio da Costa. No entanto, segundo relatos o busto foi instalado em praça da cidade e retirado em seguida a pedidos de moradores pertencentes as famílias rivais a Serafim que não concordaram com a homenagem. O prefeito aceitou o pedido e o busto foi alocado em deposito da prefeitura durante anos. Por volta dos anos 2000/2002, a coordenadora do Palácio de Cultura (dados corrigidos do inventário) da época, Senhora Ilza Campos Sad pediu ao Prefeito Mário Assad que cedesse o busto de Serafim Tibúrcio para ser instalado no Palácio da Cultura, na Fundação Manhuaçuense de Cultura, pois naquele momento o prédio havia sido restaurado. O prefeito faz a doação da estátua. Em 2013, no governo do Prefeito Nailton Cotrim Heringer o busto é instalado na Praça Carlos Alberto Cândido de Castro, no bairro Coqueiro. É perceptível que o coronelismo esteve ligado ao cenário principal por onde os protagonistas da história de Manhuaçu chegaram ao poder, perpetuando riquezas e afastando inimigos. No ano de 2019, comemorou-se o centenário de morte do Coronel Serafim Tibúrcio da Costa.

Por Fabrício Souza Santos – Diretor Municipal de Cultura e Turismo de Manhuaçu e Presidente do COMPAC gestão 2021-2023.

Referências bibliográficas:

Pesquisa Bibliográfica:

ALMEIDA, Ivonne Ribeiro de. Fragmentos da História de Manhuaçu. Jundiai/SP. 2008.

SANTOS. Flávio Mateus.“A República do Silêncio”, 1ª ed., Caratinga, 2009.

BATISTA. Núbio Argentino. Manhuaçu minha terra adotiva. Manhuaçu/MG

1991.

Pesquisa oral:

SILVA. Joventino Ribeiro da. Entrevista concedida em setembro de 2019.

VELOSO. Thomaz Geraldo. Entrevista concedida em setembro de 2019.

FERNANDES. Sebastião. Entrevista concedida em setembro de 2019.

VIANA. André Luiz. Entrevista concedida em setembro de 2019.

Pesquisa eletrônica: (https://www.manhuacu.mg.gov.br/abrir_arquivo.aspx/Inventario_Busto_Coronel_Serafim_Tiburcio_da_Costa?cdLocal=2&arquivo={CBEDE18A-EBE3-ADE6-5C1E-BD0DA0B1AA6D}.pdf).

www.cidadesdocafe.com.br acessado em setembro de 2019.

Ficha técnica: Levantamento e fotografia – Fabrício Souza Santos e Monique Damaso.

Elaboração: Monique Damaso – Arquiteta Urbanista pós-graduada em Gestão do Patrimônio Histórico e cultural da Baroque Consultoria de Belo Horizonte – MG.

Revisão: Fabrício Souza Santos e Baroque Consultoria 

  Fotos: Jornal Diário de Manhuaçu.

Agradecimento especial por fontes de pesquisas: Ary Nogueira da Gama.

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Resenha Cultural Fabrício Santos
Sobre Resenha Cultural Fabrício Santos
Comendador Fabrício Santos, escritor/poeta manhuaçuense. Artista Plástico filiado ao SINAP-ESP/AIAP – UNESCO e Penta-Recordista (RankBrasil), graduado em Pedagogia e 2ª Licenciaturas em História e Artes, Bacharel Livre em Teologia, Auxiliar Técnico em Metalurgia, Pós-graduado em Literatura, Cultura, Arte na Educação, Filosofia e Direitos Humanos, Especialização Técnica em Arteterapia e Musicoterapia, cursando Arquitetura e Urbanismo pela UNIFACIG. Presidente da ACLA/MG e Benemérito da FEBACLA/RJ
Manhuaçu - MG

Manhuaçu - Minas Gerais

Sobre o município
Notícias Acadêmicas,Culturais, Sociais,Turísticas,Educacionais,Terapêuticas e da área da Saúde de Manhuaçu-MG. O nome de Manhuaçu que em Tupi significa “grande chuva”, foi emancipada no dia cinco de novembro de 1877 e, alguns anos depois, tornou-se cidade. Neste período a cidade perdeu uma grande área territorial, originando 70 municípios que compõem o leste de Minas Gerais. Com o fim do ciclo do ouro na região, a maior riqueza do município tornou-se o café.
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