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É Campeão!!!

No meio do caminho, pedras e espinhos contribuíram para formar uma torcida que não abandona o barco. O atleticano sempre acreditou e nunca deixou de lutar, lutar, lutar...

03/12/2021 08h24
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Por: Gilson Oliveira
Foto de Fernando Moreno - AGIP
Foto de Fernando Moreno - AGIP

É Campeão!!!

Noite gloriosa de 02 de dezembro de 2021: o Galo é campeão brasileiro, após empolgante remontada na partida contra o Esporte Clube Bahia, em Salvador. Gritar “é campeão” libera um desejo vivo, alimentado nesses anos todos.

Não é uma história tão simples de se dizer numa frase banal: “Depois de 50 anos, finalmente...” Não: no meio do caminho houve emoções que nos forjaram, nos lapidaram, nos ensinaram a ser a mais bela torcida do mundo, movida a uma magia que amalgama paixão, fidelidade, amor, promessas.   Não sou eu apenas quem diz: atletas como Ronaldinho, Tardelli, Veloso, Taffarel, Hulk, Marques, que vestiram camisas de outros grandes times no Brasil e no mundo, o repetem sempre.

As pedras no meio do caminho, os desencontros repentinos e inesperados com a glória, tudo confluiu para formar gerações de torcedores que fazem do Atlético Mineiro a vida, a motivação para existir e coexistir. Razão de extravasar a dor e o prazer. O grito Galôoo sai das entranhas, não da boca pra fora. No meio do caminho, pedras e espinhos contribuíram para formar uma torcida que não abandona o barco. O atleticano sempre acreditou e nunca deixou de lutar, lutar, lutar...

Depois do grande feito de 1971, quando eu era um moleque de 11 anos, de rádio a pilha e antena esticada entre dois bambus, o rosto do time foi metamorfoseando, vi surgirem artistas que representaram com toda beleza a alma atleticana. Mas a glória do título brasileiro ficava pelo caminho, fosse por alguma deficiência de última hora, fosse por erros e até  perseguição política. Várias vezes entre os quatro melhores, cinco vezes vice-campeão. Em 1977, a perseguição ao artilheiro que erguia o braço em protesto contra a ditadura, repetida em 1980 e 1985: Reinaldo, o ponte-novense, gênio dessa etnia alvinegra, foi tirado do jogo final em 77, expulso da partida em 80, e teve seu gol anulado em 85. Ditadura, nunca mais!

No meio do caminho, além dos vice-campeonatos, os títulos internacionais da Comenbol, em 92 e 97, da Copa Libertadores, em 2013, da Recopa Sul-Americana, em 2014, da Copa do Brasil, em 2014. O Galo Campeão de hoje veio esticando a mão para pegar a taça a cada ano, mas uma força estranha no ar atravessava nosso samba.

O caminho desse festejado segundo título do brasileiro não é um deserto, é uma escola de gerações, rostos que foram sendo mudados, mas por dentro a mesma energia, a pulsação que tem raiz, o mesmo DNA que aproxima uma etnia, uma raça, uma gente diferenciada no jeito de torcer.

Vi ontem, na comemoração aqui em Ponte Nova, uma garotada, meninos e meninas, uma multidão de jovens às lágrimas, aos abraços, aos cantos, aos gestos, punhos cerrados, braços erguidos, exibindo sua razão de ser. Brava gente! Notáveis novos campeões. Preparemo-nos para novas batalhas, novos heróis, novas conquistas.

 

 

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