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Obras de Amílcar de Castro deixam Dom Silvério

As obras estão sendo levadas para Brasília para serem expostas no projeto de homenagem ao escultor e ao mineiro Márcio Teixeira, maior colecionador privado dos trabalhos de Amílcar

10/01/2022 11h34
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Por: Gilson Oliveira
Obras de Amílcar de Castro deixam Dom Silvério

Obras de Amílcar de Castro deixam Dom Silvério

 

Até a semana passada, o município de Dom Silvério possuía um museu a céu aberto que abrigava muitas das obras do escultor, artista plástico e designer gráfico brasileiro, Amílcar de Castro. São esculturas em aço, com a passagem do desenho para a tridimensionalidade. Amílcar de Castro se tornou referência para os artistas brasileiros e, especialmente, para seus alunos na Escola Guignard, em Belo Horizonte.

Suas obras são fundadas quase exclusivamente em duas ações (corte e dobra, que nem sempre vêm juntas) sobre ferro e madeira, e que impressionam pela economia de meios e pela lição que oferecem sobre a capacidade afirmativa do gesto e o fato de realizarem a passagem do plano para o volume.

Assim, a cidade se despede das esculturas do artista plástico Amílcar de Castro. Até então, quem chegava a Dom Silvério se defrontava com uma das obras em cada esquina, praça, rua, como que circulando por um museu vivo.

As obras estão sendo levadas para Brasília para serem expostas no projeto de homenagem ao escultor e ao mineiro Márcio Teixeira, maior colecionador privado dos trabalhos de Amílcar. Após a morte recente do colecionador mineiro, os trabalhos de Amílcar estão sob os cuidados do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC).

Realizado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), agora guardião do acervo, o Parque de Esculturas será o primeiro tributo em memória de Teixeira e Castro. Com curadoria de Marília Panitz, o projeto O jardim de Amílcar de Castro: Neoconcreto sob o céu de Brasília, ocupará uma área de 20 mil m², e apresentará apresentar as esculturas do premiado artista brasileiro por um período de dois anos. A exposição gratuita tem como proposta criar um grande jardim de esculturas nos gramados de Brasília, permitindo ao público uma visita a céu aberto.

 

Serão desenvolvidos site, aplicativo, catálogo, seminários, palestras, mesas redondas e oficinas de visitação do projeto. A mostra propõe destacar o que poderia ter sido do encontro da arte neoconstrutivista de Amílcar de Castro com a arquitetura e urbanismo de Brasília, cidade caracterizada pelo espaço aberto e amplo horizonte.

 

A exposição será inaugurada em 22 de fevereiro no Centro Cultural Banco do Brasil Brasília.

 

Biografia

Amílcar de Castro nasceu em Paraisópolis, a 8 de junho de 1920 e faleceu Belo Horizonte, a 21 de novembro de 2002.

Estabeleceu-se em Belo Horizonte em 1934 e formou-se em Direito na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1945, onde conheceu Otto Lara Resende e Hélio Pellegrino.

Frequentou a Escola Guignard entre 1944 e 1950, onde estudou desenho com Alberto da Veiga Guignard e escultura figurativa com Franz Weissmann. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1953, iniciando sua carreira de diagramador nas revistas Manchete e A Cigarra. Participou do Grupo Neoconcreto no Rio de Janeiro (1959-1961), e elaborou a reforma gráfica do Jornal do Brasil (1957/59). Durante os anos 60 fez a diagramação dos jornais Correio da Manhã, Última Hora, Estado de Minas, Jornal da Tarde e A Província do Pará, entre outros, além de ter trabalhado como diagramador de livros na Editora Vozes.

Após receber uma bolsa da Fundação Guggenheim e o Prêmio Viagem ao Exterior no XV Salão Nacional de Arte Moderna, em 1967, viajou para os Estados Unidos, fixando-se em Nova Jersey. Em 1971 retornou a Belo Horizonte, dedicando-se a atividades artísticas e educacionais. Dirigiu a Fundação Escola Guignard (1974/77), onde ensinou expressão bidimensional e tridimensional. Foi professor de composição e escultura na Escola de Belas Artes da UFMG (1979/90) e de escultura na Fundação de Arte de Ouro Preto-FAOP (1979).

Amílcar de Castro é considerado pelos críticos e historiadores da arte um dos escultores construtivos mais representativos da arte brasileira contemporânea.

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