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O Homem é o que ele veste

O Hábito faz o monge

25/08/2021 19h06
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Por: Nélio Azevedo
roupas
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O Homem é o que ele veste

 

O Hábito faz o monge

 

Desde os primórdios quando o homem sentiu a necessidade de esconder sua nudez, ele investiu boa parte de sua existência na produção do seu vestuário. A capacidade de transformar fios naturais sejam eles animais ou vegetais, em roupas foi só crescendo e chegou aos nossos dias como uma das indústrias mais desenvolvidas que existem.

Lá na antiguidade a forma de produção era rudimentar, com teares e a lã era o fio preferido, o algodão também ganhou destaque e logo se tornou o mais fácil de se produzir e se adaptou os mais variados climas. A seda ganhou o status de tecido mais cobiçado a partir do momento que saiu da China e ganhou as nobrezas e realezas europeias, criando assim um canal de exportação que culminava no Mediterrâneo e veio a se chamar de Rota da Seda.

Os meios de produção não paravam de se desenvolver e a roupa passou a dizer quem você era, tanto que numa invasão ao Império Sumero-acadiano era proibido sob pena de execução, incluir nos itens do butim de guerra o tecido conhecido como Sumer, pois esse era exclusividade dos reis e deuses.

A Revolução Industrial se deu pela necessidade de renovar leis e direitos a respeito da produção e comércio de manufaturados, sendo os tecidos os mais importantes, visto que a Inglaterra transformou várias de suas colônias em pastos para os carneiros, impedindo seus súditos além-mar de plantar até os alimentos mais básicos, ou era pra criar ovelhas ou plantar algodão.

A Nova Zelândia sem hoje mais de cinco carneiros para cada habitante humano e a Irlanda perdeu mais de 800 mil vidas pela fome quando foram proibidos de plantar batatas no solo que era para as ovelhas.

Nas cidades-estados italianas o desfile de modas e novidades era proporcional às outras cortes europeias, como a francesa, a inglesa e holandesas, grandes produtoras de tecidos ou importadoras; as pinturas da época renascentista nos mostra até aonde ia o luxo e a riqueza.

Como nada dura para sempre, os hábitos de se vestir foram mudando com os tempos e aquele monte de pano que escondiam os corpos, principalmente os femininos, foram sendo descartados como se fossem parte da pele, em camadas que iam revelando quem estava debaixo deles até chegar ao ponto de, no Século XX, em meados de 1960 uma inglesinha desfilou com uma minúscula saia e o mundo a seguiu, estavam revelados os corpos das mulheres sem pudor, apesar dos olhares maldosos, tanto de repúdio quanto de desejo.

Grandes marcas surgiram e o mundo da moda ganhou contornos que não se limitavam às estações do ano, a moda militar, por exemplo, nasceu do colapso da indústria europeia no pós-guerra em 1945 em que as mulheres aproveitando os excedentes de fardas militares as transformavam em roupas do dia a dia. O jeans que era destinado aos garimpeiros da corrida do ouro na Califórnia, se tornou um ícone pop que assolou o mundo transformando-se numa marca cobiçada e que resumia toda uma revolução de costumes na mágica década de 1960.

A liberdade é uma calça velha e desbotada, já dizia a propaganda veiculada nas TVs do mundo todo como se dependêssemos somente dela para nos libertar de antigos costumes e tradições.

De uns tempos para cá a moda ganhou tantas novidades, tecidos sintéticos, tantas definições e correntes que não sei se dá pra chamar de moda ou simplesmente de modismo. Alguns trajes se mantiveram e muita gente não abre mão de tê-los em seus guarda-roupas, alguns ambientes exigem determinados trajes, o clima também mantém suas ordens ao se vestir, mas tem uma turma que resolveu contestar de todas as formas tudo isso e reinventou o hábito de vestir. A roupa não mais define quem a usa, o filho doo príncipe se veste como mendigo e o mendigo quer se vestir como um príncipe e ninguém mais sabe quem é quem nesse grande desfile na passarela do mundo.

Imaginem que tem jeans de marca que não tem mais do que dois palmos de tecido contínuo sendo todo o resto um molambo e o preço é infinitamente maior do que o de várias calças inteiras e íntegras. Algumas pessoas compram roupas muito maiores do que o seu número habitual e vão sobrepondo camadas sobre camadas e aquelas calças no meio das nádegas ou mesmo nas coxas, uma coisa mais sem sentido prático nem estético com milhares de adeptos.

Aquela ousadia lá da década de 60 que rompeu com o uso de um quase uniforme, em que os homens usavam uma camisa de manga curta e uma calça de tergal e sapatos de couro bem engraxados e polidos trocados por uma calça Lee, uma T-shirt de malha e um par de tênis é ultrapassado diante do que assistimos hoje.

O hábito não faz mais o monge, nem de longe a roupa define seu usuário e a ditadura da moda continua imperando sobre a liberdade de se vestir o que se quer e se sente bem.

Vem viver verá o que virá na passarela da moda pelo mundo afora.

 

Nélio Azevedo

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Ecos do Boachá
Sobre Ecos do Boachá
Nélio Agostinho Azevedo, nasci em 1952 em Raul Soares, MG e sou licenciado em História pela UFMG, historiador, poeta, desenhista, ilustrador e técnico em Comunicação Gráfica. Autor do livro Minha vida de Menino. Apaixonado pela literatura universal, pela História do contado dos feitos dos homens e por essa Minas Gerais.
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