Cidades Coluna Social

PRINCESINHA DO MATIPÓ

Uma Feliz Cidade

19/09/2021 10h45 Atualizada há 2 meses
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Por: Nélio Azevedo
Panorâmica
Panorâmica

A Princesinha do Matipó

 

Perambulando em busca de riquezas

dois irmãos se encontraram um dia

nas margens onde os rios se encontram

por feliz coincidência e para sua alegria

 

Cassimiro e Domingos de Lana

ali fincaram sua bandeira

se saber que era a semente

de uma gente hospitaleira

 

Um caudaloso Matipó

outro mais tímido, Santana

Uma beleza que vendo só

Onde toda água se irmana

 

Naquele tempo, o dono da terra

era quem chegasse primeiro

e os irmão Lana fincaram sua bandeira

naquele dia vinte de janeiro

 

Terra dos valentes Boachá

Do tronco tupi-guarani

Guerreiros de outrora

Da etnia dos bravos Puri

 

Deles sobraram somente o nome

Da montanha solene altaneira

Que num crescente de morros

Vai culminar no Pico da Bandeira

 

E as águas dos dois rios irmãos

não poderia imaginar que fosse

se juntando ao Rio da Casca

e o Piranga fazer o Rio mais Doce

 

Suas águas da cor do barro

esconderijo de muitas lendas

mata a sede na bilha ou no jarro

e escorre por profundas fendas

 

Seus peixes a alimentar toda gente

suas matas e seus bichos selvagens

de um ar úmido e quente

vieram beber em suas margens

 

Armadilhas do bicho homem

Que, pra saciar sua fome

deixando triste lembrança de ontem

Que num século tudo se consome

 

Ali não tem ouro nem as preciosas

sua riqueza não tem esses brilhos

mas, na descendência valorosa

Dos que serão os seus filhos

 

Dos que nascerão num tempo vindouro

farão brilhar o nome desse lugar

uma grande cidade do futuro

de que se pode orgulhar

 

Pertencente a outras localidades

por fim conquista sua autonomia

pra cumprir sua sonhada vocação

De ser grande até que um dia

 

Se tornasse a cidade entre dois rios

do Padroeiro São Sebastião

Uma cidade erguida com a luta

com tijolos e a argamassa do coração

 

Num tempo em que os pioneiros

Já tinham voltado ao chão do pó

a cidade recebia a alcunha

de Princesinha do Matipó

 

A essa brava gente, tudo devemos

pois, tiveram uma infinita coragem

enfrentando doenças e feras

construíram a nossa linhagem

 

E a nossa maior qualidade

Nem é a bravura dos ancestrais

é a generosa hospitalidade

que aprendemos com nossos pais

 

Num tempo em que o café

era a nossa maior riqueza

gente de outras cidades e até

de outras nações, com certeza

 

Vieram aqui aportar e viver

e formar a rica cultura local

que vale a pena conhecer

na sua forma original

 

De uma gente amiga e criativa

seja na música ou nas artes

delas somos filhos e atores

delas somos a sua melhor parte

 

Um dia vieram os ingleses

maravilhosos construtores

trouxeram o trem de ferro

nisso eles eram doutores

 

Nos trilhos da Leopoldina

vieram os vagões do progresso

ligando a cidade à capital

nosso maior sucesso

 

E chegaram outras novidades

no comércio e na pecuária

nobres e febris atividades

sem as lavras da minerária

 

Pequenos artesãos, tropeiros

gente de toda classe e sorte

homens rudes e cavalheiros

uns fizeram fortuna, outros a morte

 

Depois do gado veio a cana

todo tipo de mantimento

chegavam pelos trilhos

a quase todo momento

 

Famílias foram se formando

formando homens pro futuro

até colégio já tinha ali

e casas cercadas com muros

 

No coreto da pracinha principal

as retretas animavam a cidade

dobrados de encantos em bemol

alegravam as festividades

 

O progresso não parava de chegar

Postes com luz elétrica

pra cidade toda iluminar

entrava uma vida frenética

 

Clubes de futebol, dancing nigth club

lanchonetes e bares com bilhar

restaurantes, hotéis e um bancos

e calçamento por onde andar

 

Um lindo Grupo Escolar

a cidade ganhou do Benedito

berço do conhecimento

onde seu futuro era escrito

 

Pelas mãos do Padre José

A velha matriz deu lugar sem reclamar

Um lindo santuário foi erguido

a casa onde Deus foi morar

 

Agora os pacientes da cidade

não precisavam mais viajar

já tinha até um hospital

para seus doentes cuidar

 

Bela e moderna construção

mais uma vez o Padre José

abriu o seu coração

um projeto construído com a fé

 

Em um tempo de progresso

tinha até campo de aviação

e a coisa mais chic da época

era viajar de avião

 

E foi voando pelos ares

nas asas da Aerocita

que muita gente viu lá de cima

como a cidade era tão bonita

 

Outros bancos, e uma Caixa Econômica

agora a cidade podia falar com o mundo

tinha até uma central telefônica

e uma represa com um lago bem fundo

 

Lá na cachoeira do Emboque

A Assad Chequer Força e Luz

construiu a sua usina

e a energia é que nos conduz

 

E a mais nobre novidade

pela engenhosidade e coragem

agora na nossa bela cidade

conheceria a engrenagem

 

Que faz o progresso na forja

transformando a têmpera do aço

fabricando a melhor enxada

num martelar sem cansaço

 

Dia e noite, noite e dia,

o martelete como um açoite

entoando a sua melodia

noite e dia, dia e noite

 

Depois vieram outras fábricas

num surto de progresso sem parar

os eletrodos saiam embalados

prontos pra viajar

 

A cidade não parava e mais gente a chegar

vieram os turcos, que por certo

eram vindos de outro lugar

sírios e libaneses, eita povo esperto!

 

Os portugueses aqui sempre estiveram

são brasileiros por adoção

vieram milhares de italianos

e até mesmo um alemão

 

E o comércio ficava mais quente

Com a chegada de muita grandeza

pra comprar de um tudo

agora tinha o Bazar Fortaleza

 

Ingleses, belgas e suecos

tchecos e japoneses

estrangeiros brasileiros

construindo uma nação

 

Pra atender a tanta gente,

que vinda de tanto lugar

é nas Casas Pernambucanas

que eu vou aquecer o meu lar

 

Tinha até um novo Fórum

onde a Lex dura Lex Sed Lex

e uma loja novinha em folha

com o nome de Brasiltex

 

Estava estabelecida a concorrência

outras mais entrariam para a história

pra que ninguém perdesse a decência

quando fosse cantar a vitória

 

Empoleirada no trem da Leopoldina

a cada dia vinha mais gente

fazer compras na cidade

mesmo com o tempo mais quente

 

Pra uma compra mais requintada

até mesmo coisa importada

o endereço certo da clientela

era Ao Colosso da Mata

 

E tinha um belo cinema

Cine Marrocos era seu nome

espetáculos, teatros e matinês

e de repente tudo isso some

 

Operário e Associação

dois clubes de futebol

da galera era a paixão

faça chuva ou faça Sol

 

Marajoara e o Flamê

embalavam a cidade

ali, os bailes e festas

eram mais uma novidade

 

Os bailes de debutantes

ou os bailes de Carnaval

eram os acontecimentos

de maior cunho social

 

E construíram um grande educandário

um magnífico momento

do ginasial ao secundário

casa do conhecimento

 

Sob a direção do padre Sérgio

austero e de difícil acesso

o curso de admissão

fazia parte do processo

 

Por ali passaram tantos alunos

tantos mestres queridas

e nós levamos o conhecimento

como bagagem adquirida

 

Doutores e engenheiros

enfrentaram o temível vestibular

com o que lá aprenderam

pra faculdade cursar

 

Linhas de ônibus direto pra capital

Pássaro Verde agora já tem

Pra uma viagem mais perto

Vá na perua do Bém-Bém

 

Outras empresas vieram depois

viajar era bom demais

seja pela Unida pra São Paulo

ou pela Cristiano Morais

 

Serviço de água e esgoto

água tradada é mais saudável

abra a torneira e comprove

sairá só mais pura água potável

 

Um dia de muita festa

inventaram de fazer uma estrada

e iniciaram a construção

de uma rodovia asfaltada

 

Cortando morros, revolvendo a terra

maquinaria moderna e muita pressa

era o fruto da engenharia

cumprindo uma promessa

 

E veio a cooperativa agropecuária

mostrando a força do setor

produtos de qualidade

era a união do produtor

 

A cidade ganhou de presente

pra dar impulso na área cultural

revelando seus artistas

num fantástico Festival

 

Durante mais de duas décadas

se cantavam nessa cidade

exportando os talentos

e trazendo as novidades

 

Na área dos esportes,

fizeram uma Olimpíada local

durante quatro décadas

tinha esse evento genial

 

E para abrigar nossos atletas

construíram um ginásio coberto

quadra de tacos e arquibancadas

incentivo ao esporte, por certo

 

Aos poucos a cidade foi morrendo

perdeu suas fábricas e o alento

como puderam as autoridades

permitir tamanha maldade?

 

Quantos pais de família sem emprego

muitas bocas em desespero

um projeto tão caro pra cidade

construído com tanto esmero

 

Um fantasma assombra a cidade

sua população busca outras cidades

vendo que sua terra natal

não lhe oferece mais oportunidades.

 

A cidade perdeu o que há de melhor

perdeu até mesmo um distrito

ficando a cada dia menor

na sua história, isso não tava escrito

 

Até o trem de ferro foi embora

foi-se pra nunca mais voltar

arrancaram suas artérias

deixando triste o lugar

 

Suas estações viraram mausoléus,

quase abandonados, seus pontilhões

e o povo clama aos céus

que escute suas orações

 

Muitas famílias foram embora

os que ficaram resistiram heroicamente

só Deus sabe o que passaram

pra erguê-la novamente

 

foram três décadas de atraso

até que as coisas começaram a mudar

e os ventos da mudança tão esperada

voltaram novamente a soprar

 

Construíram outra usina

acima da que existia

com seu esplêndido lago

local de boa pescaria

 

Ali também se pratica

canoagem e natação

tem agora a Apavana

local de pura diversão

 

Da rampa natural do Boachá

o esporte ganhou asas

homens-pássaros colorindo o céu

realizando o sonho de voar

 

 

E veio então, o Minas Beach Parque

o maior empreendimento

da história que a cidade já viu

é a sensação do momento

 

A chegada de milhares de turistas

veio gente de todo lugar

com a ajuda do sol escaldante

nas suas águas mergulhar

 

A cidade volta a respirar

novos ares de progresso

deixando pra trás

os tempos de retrocesso

 

Pra quem conheceu a cidade

tão pequena e estagnada

outra grande novidade

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Sobre Ecos do Boachá
Nélio Agostinho Azevedo, nasci em 1952 em Raul Soares, MG e sou licenciado em História pela UFMG, historiador, poeta, desenhista, ilustrador e técnico em Comunicação Gráfica. Autor do livro Minha vida de Menino. Apaixonado pela literatura universal, pela História do contado dos feitos dos homens e por essa Minas Gerais.
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