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Tua Chegada

O amor que vem na bagagem pouca é muito: purifica e esvazia, faz perder os ajuntados sem sentido, dissipa tolices que limitam a ousadia, mas traz o novo potencializado de infinitos ganhos e refazimentos.

13/10/2021 09h24
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Por: Gilson Oliveira
Foto: José Antônio de Oliveira.
Foto: José Antônio de Oliveira.

Tua Chegada      

                                                                                   Gilson José de Oliveira

                                                Se me perguntar se ainda é seu,

Todo o meu amor eu sei que eu

Certamente vou dizer que sim”.

(Fernanda Takai, Do fundo do meu coração).  

 

Vieste de surpresa de algum lugar, para meu susto e alegria juntos e simultâneos. Um toque de alerta, tua voz, teu riso arisco e corri ao teu encontro, movido pela força da paixão que me recende todo o corpo à simples imaginação de teu chegar. Corpo quente, arquejando, necessidade urgente de te ver, aventura e ventura, sublime instante clarividente da grandeza do amor.

Tantas fugas, tantas aparições inesperadas, carregadas desse querer avassalador. Tu em minha direção, chamas invasoras saltando nas frágeis artérias do meu coração.

Todas as estações sincronizam à tua chegada. Impetuoso verão, frutado e dulcíssimo outono, de risonhos frutos de quintal, alegre e vibrante primavera. E também o inverno? O inverno, porque nos recolhemos juntos, os corpos se procuram e se dão para um sentir profundo que gruda para sempre a reclamar calor e emanar energia. Inverno, porque os corpos se misturam para se fazerem um só a sustentar os corações juncados em um.

Chegada retumbante a tua, a desmontar projetos, derrubar planos, arrasar barragens e bobagens que a vida tentou ajuntar para se proteger das inundações dos desejos.

Passa a ventania, passam os medos, irrompem os sonhos, vão se espalhando gravetos, solapam ladeira e corredeira abaixo as impurezas do desamor, as ilusões do que é passageiro e provisório, do que não presta, do que apodrece. Resiste a única realidade: o espaço sagrado, viveiro de amor pronto para explodir e se expandir, irradiar nova forma de ser.

O amor, esse vendaval que chega contigo, e depois se faz bonança e serena espera: brotos vão surgindo nas cercanias de um descampado amplo, geral e irrestrito, meu coração ardente por anistia, bálsamo que cicatriza feridas abertas. Coração costurado pelas agulhas delicadas de teu querer.

O amor que vem na bagagem pouca é muito: purifica e esvazia, faz perder os ajuntados sem sentido, dissipa tolices que limitam a ousadia, mas traz o novo potencializado de infinitos ganhos e refazimentos. É inundação que lava e leva espinheiros e fertiliza outras possibilidades nesse espaço aberto a te querer.

Resta, à tua chegada, embalar-me de teu ritmo, seguir teus passos que deslizam na relva, sugar o prazer que escorre de teus lábios, sem perder jamais a ternura que acalenta e sustenta.

 Na explosão incontida, meu peito se alarga para te caber, meu colo se agiganta a te acolher, minha vida te assimila e se deixa tomar da inteira novidade que renova e acresce o ser que sou quando vens de algum lugar, qual chuva torrencial e mutante a rejuvenescer.

Não sei se é fogo, água ou vento a prefigurar o novo e dar lustro ao que já se cansava e pedia brilho, exausto da porfia pelo bem e pelo belo, pelo justo e verdadeiro. Nunca é tarde, há um antes e um depois. Amar-te na espera e depois de esperar tanto, te amar. Por puro encanto. Enquanto há tempo, entretanto.

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